Existem pessoas que demonstram sentimentos com as mais diversas variedades de sensações, uns riem, outros ficam calados, alguns tagarela, eu choro e odeio chorar. E sempre foi assim, quando era criança meus pais quando eu fazia alguma coisa errada não me batiam, aliás eu nunca apanhei nem do meu pai e nem da minha mãe, a maior surra eram as palavras doídas que eles me falavam. Palavras que mais pareciam facas entrando pelo meu ser, e eu chorava, nunca precisavam falar duas vezes a mesma coisa uma apenas bastava pra que eu nunca mais fizesse aquilo novamente. E ao contrário do que se possa imaginar eu chorava sozinha. Ninguém me via chorar, palavras sempre foram meu ponto fraco. E elas nem precisam ser ditas, escritas já são fortes o suficiente pra acabar com meu dia … e minha forma de demonstrar o que eu sinto é chorando, ao contrário de quando era bebê. Minha mãe sempre fala que eu era o bebê mais tranqüila do mundo e que era muito difícil ouvir eu chorar, em compensação com o passar dos tempos isso foi se aprimorando em mim de uma forma que hoje em dia está quase incontrolável. Não sei mentir e muito menos ser falsa, pelo contrário, sou transparente total se estou triste todo mundo percebe, e o mesmo acontece se estou feliz ou mesmo doente é uma merda ser assim. Volta e meia aparece alguém me perguntando: “tá tudo bem com você?”
Se estou triste, eu choro. Se estou com dor e ela é muito forte, normalmente eu choro, geralmente choro vendo algum filme que me toca de alguma forma ou ouvindo alguma música que naquele momento me lembre de alguma coisa que vivi, ou às vezes nem lembro de nada e a música me faz chorar. Até quando rio demais saem lágrimas dos meus olhos, minha glândula lacrimal é mega desenvolvida, só pode ser! Mas não pense que é aquele choro compulsivo, não, são aquelas lágrimas que saem com dificuldade, tamanho sentimento embutido nelas chegam a ser pesadas como se tivessem carregando todo o peso que elas acarretam ao sair e são doídas, não tem a mesma dor de quando eu era criança, mas ainda assim são doídas. Com o passar do tempo a gente vai entendendo o que é certo do que é errado (ou tenta ao menos) e os momentos difíceis de nossa vida acabam diminuindo também, por que a convivência com o mundo e com a gente mesmo traz consigo entendimento e com isso aprendizagem. Então as lágrimas tendem a diminuir, mas e quando a vida te prega umas paradas que te deixam perdida? Meu único consolo é deixar minhas malditas lágrimas rolarem. Sim, a gente se entende. Com o passar do tempo criamos um vínculo, que funciona mais ou menos assim : enquanto eu choro fico imaginando possibilidades, meios de sair daquela situação, atitudes que eu poderia tomar pra facilitar as coisas e muitas vezes este entendimento de determinada situação só é possível através de muitas e muitas lágrimas rolando pelo meu rosto. Ultimamente tenho chorado bastante, muito mais para entender o por que de algumas coisas acontecerem na minha vida do que por estar sentindo qualquer tipo de comoção. Sentimentalismos a parte, são as lágrimas que me acompanham em todos os momentos da minha vida. E acho que de tanto ódio que eu tenho delas, com a convivência, estamos quase criando um laço de amizade, afinal de contas é nelas que me afogo pra tentar apagar da minha mente algum momento ou mesmo reviver outros, e vou vivendo, mesmo com lágrimas !